Terapia sistêmica
Por Luísa da Cruz Rios, criadora da Leve Universo · revisado pela autora antes da publicação
A constelação familiar é um método criado pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger para olhar os padrões de relação dentro de uma família e de outros sistemas, como uma empresa ou uma equipe. Em vez de interpretar a história de quem a conta, quem conduz observa o que aparece quando as partes desse sistema são representadas no espaço.
A seguir: de onde vem o método, em que formatos acontece, como funciona uma constelação em grupo, que bases o sustentam e quais são os três princípios chamados de ordens do amor.
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Constelação familiar é um método de representação. Pessoas, bonecos ou objetos ocupam o lugar de membros da família, ou de temas como trabalho, saúde e dinheiro, e a posição de cada um no espaço forma uma imagem do sistema.
O texto da Portaria GM/MS nº 702, do Ministério da Saúde, descreve a constelação como uma técnica de representação espacial das relações familiares. A mesma portaria marca a inclusão da constelação familiar, em 2018, na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do SUS, ao lado de outras onze práticas, como aromaterapia, cromoterapia e terapia de florais.
Fonte: Portaria GM/MS nº 702, de 21 de março de 2018 (Ministério da Saúde).
O método também chegou ao Judiciário: em 2018, o Conselho Nacional de Justiça registrava unidades de Justiça de pelo menos 16 estados e do Distrito Federal usando a técnica.
Fonte: Portal do CNJ, 2018.
Bert Hellinger nasceu em 1925, em Leimen, na Alemanha, e morreu em 2019. Foi padre católico e dirigiu por muitos anos uma escola missionária na África do Sul; deixou a ordem e o sacerdócio em 1971.
A portaria do Ministério da Saúde e o Portal do CNJ o apresentam como psicoterapeuta alemão.
A constelação pode acontecer com um grupo de pessoas numa sala, mas tem outras versões, e o que se representa não precisa ser uma família.
Participantes do grupo representam membros da família ou temas como o trabalho, a saúde e o dinheiro.
Bonecos ou objetos são posicionados sobre uma mesa ou no chão, e a imagem é lida da mesma forma. É um formato comum nas sessões individuais.
No lugar de familiares, entram setores da empresa, sócios, cargos, produtos ou o próprio dinheiro.
Na constelação fluvial, os bonecos flutuam numa bacia, e cada um recebe o nome de uma pessoa ou de um aspecto da questão.
Uma variação em que a constelação acontece na presença de cavalos.
Em todos os formatos, a lógica é a mesma: tornar visível, no espaço, a relação entre as partes de um sistema.
Os dois nomes aparecem para o mesmo método. Constelação sistêmica destaca o olhar para sistemas, e a família é um deles; uma empresa e uma equipe também são. É por isso que o formato organizacional segue a mesma lógica da constelação de família, com as partes da empresa no lugar dos parentes.
Uma constelação em grupo tem começo, meio e fim, e pode ser descrita em cinco passos.
Quem vai constelar, o constelado, conta a quem facilita, em poucas palavras, a questão que quer olhar.
O constelado escolhe participantes do grupo para representar membros da família, ou temas como o trabalho e o dinheiro, e os posiciona no espaço conforme sente a relação entre eles.
O facilitador observa os representantes, que relatam sensações e impulsos, e movimenta as posições até chegar a uma imagem que descanse.
Quem facilita propõe frases curtas de reconhecimento para os representantes dizerem.
“Eu vejo você.” “Você tem o seu lugar.”
O constelado encerra olhando a imagem final, sem discussão longa. A proposta do método é que essa imagem siga fazendo efeito nos dias seguintes.
Um ponto central é a chamada percepção representativa: segundo os praticantes, quem representa alguém costuma sentir algo parecido com o que sentiria a pessoa representada.
Segundo o Portal do CNJ, Hellinger apoiou o seu sistema em três bases: a Teoria Geral dos Sistemas, a Fenomenologia e o Psicodrama.
Fonte: Portal do CNJ, 2018.
Fenomenologia é uma corrente da filosofia ligada a Edmund Husserl. Em linhas gerais, é o estudo daquilo que aparece: olhar o fenômeno do jeito que ele se mostra, sem interpretação prévia. Na constelação, isso quer dizer que o facilitador observa em vez de interpretar a história: onde cada representante foi colocado, para onde olha, o que relata e que movimentos surgem. Nesse ponto o método se afasta da psicanálise clássica, que trabalha interpretando o que a pessoa traz.
Para explicar a percepção representativa, os praticantes falam em campo. Uma das referências que eles citam é a ideia de campos mórficos, proposta pelo biólogo britânico Rupert Sheldrake.
O texto da portaria registra que Hellinger chama de ordens do amor as leis básicas do relacionamento humano: a do pertencimento ou vínculo, a da ordem de chegada ou hierarquia e a do equilíbrio.
Fonte: Portaria GM/MS nº 702/2018 (Ministério da Saúde).
Ao lado de cada princípio vem um exemplo. Os três casos são fictícios, criados para ilustrar, e seguem a mesma estrutura: a situação, a leitura do método e o que o método propõe.
Todos têm direito de pertencer ao sistema familiar. Quando alguém é excluído, esquecido ou não é mencionado, a teoria diz que outro membro tende a ocupar esse lugar de forma inconsciente.
Marina e o tio de quem ninguém falava
A situação: Marina, 38 anos, vai bem no trabalho, mas sente que não é de lugar nenhum. Troca de emprego, de cidade e de amigos, e em todo lugar se sente de fora.
A leitura do método: na família, aparece um irmão do pai dela que morreu bebê e de quem nunca se falou. Para o método, a falta de lugar de Marina repetiria a falta de lugar desse tio.
O que o método propõe: dar lugar ao tio, perguntar por ele, dizer o nome em voz alta e ouvir a história. A frase típica é “você faz parte da família”.
Quem chegou antes tem precedência sobre quem chegou depois: avós antes dos pais, pais antes dos filhos, o primeiro filho antes do segundo. Por isso o método considera inadequado que um filho carregue o papel de pai ou de mãe dos próprios pais.
Camila e a mãe que ela criou
A situação: Camila, 29 anos, é a filha mais velha. O pai saiu de casa quando ela tinha 12 anos, e desde então ela paga as contas da mãe, decide por ela e ouve as queixas sobre o pai.
A leitura do método: Camila ocupa um lugar de adulta ao lado da mãe. O método chama isso de inversão de hierarquia: quem veio depois cuida de quem veio antes.
O que o método propõe: devolver cada uma ao seu lugar. Uma frase típica é “você é minha mãe e eu sou sua filha; respeito o seu destino”. Camila segue ajudando, mas como filha.
Entre adultos, as relações se sustentam numa troca justa, de afeto, cuidado, dinheiro ou tempo. Entre pais e filhos a troca não se fecha: os pais dão, e os filhos retribuem passando adiante, aos próprios filhos ou à vida.
Rafael e Júlia
A situação: Rafael paga as viagens, organiza os programas e lembra os aniversários do casal. Júlia aceita tudo com carinho, mas quase nunca retribui, e Rafael começa a sentir ressentimento e a cobrar.
A leitura do método: a troca ficou desequilibrada. Segundo a teoria, o vínculo esfria quando um lado só dá e o outro só recebe.
O que o método propõe: Rafael dá o que consegue sustentar, e Júlia retribui com algo que é seu, como tempo, cuidado ou iniciativa.
Para o método, o valor de uma constelação está em ganhar uma linguagem para falar da própria história: perceber lealdades herdadas, rever o lugar que se ocupa na família e ver com outros olhos pessoas que machucaram ou foram esquecidas.
Essa história também pode ganhar forma num genograma.
A constelação complementa o cuidado com a saúde e não substitui o acompanhamento de médicos e psicólogos, quando necessário.
Não. A constelação não exige fé e não tem culto, dogma nem líder religioso; pessoas de qualquer crença, ou sem crença, participam. O texto da portaria do Ministério da Saúde também a descreve sem vínculo ou abordagem religiosa.
Fonte: Portaria GM/MS nº 702/2018 (Ministério da Saúde).
Ao longo da obra, e sobretudo nos textos mais tardios, Hellinger usou vocabulário de alma e de espírito, presente em livros como A Simetria Oculta do Amor e O Amor do Espírito. O mais preciso é dizer que o método é laico e que o seu criador também escreveu em termos de alma e de espírito.
O passo seguinte é pôr no papel quem veio antes. O genograma é o desenho da família em gerações, com símbolos para as pessoas e linhas para as relações, e a página dele traz o passo a passo e um modelo para baixar em troca do e-mail. No YouTube, o canal @leveuniverso reúne sons da natureza para relaxar e dormir.
O psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, que nasceu em 1925 e morreu em 2019. Segundo o Portal do CNJ, ele apoiou o método na Teoria Geral dos Sistemas, na Fenomenologia e no Psicodrama.
O constelado conta a questão em poucas palavras, escolhe representantes e os posiciona no espaço. O facilitador observa os relatos e movimenta as posições até uma imagem que descanse, propõe frases curtas de reconhecimento, e o constelado encerra olhando a imagem final.
Os dois nomes aparecem para o mesmo método. Constelação sistêmica destaca o olhar para sistemas, como a família, uma empresa ou uma equipe.
Sim. Desde 2018, a constelação familiar integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do SUS, incluída pela Portaria GM/MS nº 702, do Ministério da Saúde.
Não. A constelação não exige fé e não tem culto, dogma nem líder religioso, e o texto da portaria do Ministério da Saúde a descreve sem vínculo ou abordagem religiosa.
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